Yo fellas.. Whatzuuupp!?

Hoje, ao som de Led Zeppelin escrevo este texto que estou ruminando a tempos. Você certamente conhece um ‘serumaninho aeronauticamente ansioso’ ou para os íntimos um ‘SAA’. É simples de identificar, basta ter ao menos três ou quatro destes sintomas:

  1. Ansiedade
  2. Mente Inquieta ou Agitada
  3. Insatisfação
  4. Cansaço Físico exagerado; acordar cansado
  5. Sofrimento por Antecipação
  6. Irritabilidade e flutuação emocional
  7. Impaciência; tudo tem que ser rápido
  8. Dificuldade de desfrutar a rotina (tédio)
  9. Dificuldade de lidar com pessoas lentas
  10. Baixo limiar para suportar frustrações (pequenos problemas causam grandes impactos)
  11. Dor de cabeça
  12. Dor muscular
  13. Outros sintomas psicossomáticos (queda de cabelo, taquicardia, aumento da pressão arterial)
  14. Déficit de Concentração
  15. Déficit de memória
  16. Transtorno do sono ou insônia.

Talvez a característica mais marcantes dos que sofrem por ‘SAA’ é o sofrimento por antecipação. É aquele cara que fica angustiado por fatos e circunstâncias que ainda não aconteceram, mas já estão desenhados em suas mentes. É o cara que não tem nem código ANAC ainda e acha que nunca vai entrar em uma companhia aérea. Ou o cara que nem terminou o PC e acha que vai demorar muito tempo para chegar ao INVA. O problema de ser um ‘SAA’ é justamente a falta de autocontrole, e autoconhecimento. Logo, o elemento mais maleável, e não obstante, mais suscetível a falha dentre todos os elementos dentro de uma cadeia SHELL, é imprevisível. Logo, o cara no comando não está em comando nem de si mesmo.

Epítome do Piloto

Por vezes já falei que um modelo perfeito de aviador não existe, e mantenho este posicionamento. No entanto entenda: certas características que apresentamos podem ser o que nos distancia da realização dos seus sonhos. Permita-me lhe apresentar dois modelos de pilotos:

Maverick

Este é o ‘pica das galáxias’ do aeroclube. É um cara imerso em seus pensamentos, onde fica imaginando como é estar em uma linha, fantasiando situações onde ele seria quase um herói. É um cara tão distraído que quando você fala com ele, por minutos ele não presta atenção em suas palavras. O Maverick é um cara inteligente, quase um gênio aeronáutico. Porém por esta desconexão com o agora, não assume a direção da própria história, e infelizmente não usa adequadamente o seu potencial intelectual. É um cara sonhador, porém sem disciplina para transformar seus sonhos em realidade. São ótimos para discursar, mas não são produtivos. Amam os aplausos nos bons pousos, mas por vezes, não se empenham em fazer o seu melhor sem que haja supervisão.

 

Clearence

Este é aquele cara que quanto todos olham falam: que manicaca. Nem parece ser um piloto. Mas no vamos ver ele é livre, leve, solto, faz pousos e voos incríveis, tem resiliência para usar a dor a fim de se construir, reconhece erros, pede desculpas e encanta as pessoas. Ele não tem a necessidade neurótica de ser perfeito. Por isso, é capaz expressar suas marcas de tal forma que os outros até mesmo se identificam com ele. É um cara descontraído que sabe curtir o voo, e age com naturalidade aos eventos dos voos. É um cara não teatral, ele faz por que entende o que está fazendo.

De fato, nós pilotos por vezes embarcamos em viagens de autofluxo, sem promover nenhum gerenciamento mental. Isto é bom, até o limite que você perceba sua mente divagando e volte ao foco na sua atividade. Nossa mente divaga por assuntos não resolvidos, logo, você se torna o piloto do jump-seat na sua vida. Nos tornamos completamente passivo aos pensamentos, ideias e imagens mentais e todas as suas emoções são construídas através deste fenômeno inconsciente.

Os pilotos que sofrem de SAA tem mais dificuldades de assimilação de informações, de organização e capacidade de resgate de memórias, comprometendo assim o desempenho do raciocínio. Ai acabamos vendo pilotos-alunos brilhantes que não brilham em provas, não por não saberem o conteúdo mas sim porque se perderam no processo mental.

 

Autocontrole

Quer sair de Maverick e ir para Clearence certo? Comando, agora lhe farei a proposta mais difícil de sua vida: desligue o autopilot e ‘back to the basics’. Quando desligamos o AP das nossas vidas, começamos a nos atentar a cada detalhe que nos passa a frente. E logo, entendemos que a atenção regula a emoção. Ai, acabamos descobrindo que temos acessos a outras redes cerebrais para usar na nossas vidas, como melhorar nosso nível de inglês, mantendo então uma velocidade e estresse na fala, perdendo um pouco do nosso sotaque sem perder a identidade, ou mesmo realizar operações matemáticas úteis ao nosso voo, como em proas, tempo ou combustível.

Nossa mente usa a autoconsciência para manter tudo o que fazemos nos trilhos: a metacognição que é pensar sobre pensar, permite que saibamos como estão indo nossas operações mentais e possamos ajustar nosso curso interno conforme necessário. Logo, teremos pleno controle de sentimentos e impulsos. Esta atenção executiva é a chave para a autogestão do nosso piloto interior.

Mas a chave disto está na força de vontade. Lembra desse tópico? Pois é.. O primeiro passo é desligar nosso foco do objetivo de desejo que prende nossa atenção. Então por um minuto, pare de pensar no cockpit do 777 e lembre-se do C152. Em segundo, resista a distração. Eu sei que tudo lhe remete a isto, seja uma time-line de rede social, seja seu plano de fundo no computador. Mas mantenha-se aqui, no agora. E o terceiro, permita manter sua meta no futuro, aonde ela deve estar. Tudo isso resultará força de vontade. “Se construístes castelos de ar, não terá sido em vão vosso trabalho; eles estão onde deveriam estar. Agora colocai os alicerces por baixo.”

Lembre-se meu caro, a melhor parte da sua vida está acontecendo agora. Quase um Carpe Diem Aeronáutico. Não aconteceu no passado, e não está presa ao futuro. Viva o momento, take it easy.

Fly safe, folks.

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