Sabe, o Beechcraft Baron é um avião que lembra o George Clooney. Mesmo 50 anos depois, este ícone ainda é visto como uma celebridade, e agora me refiro ao Baron. O avião iniciou as atividades em meados dos anos 60, e tem muita bagagem histórica, calejada de atualizações estratégicas que o levaram a ser um dos aviões mais voados de todos os tempos. Olhando para ele é difícil pensar que em seu lançamento, John F. Kennedy estaria se tornando presidente, 101 Dálmatas estaria sendo lançado e outras coisas.Sua história começou em 1961, com o B55. O modelo mais curto, leve e menos potente foi certificado a época. Era o modelo certo, para época certa, já que o combustível era consideravelmente barato (e ele era consideravelmente gastão), e ele tinha as vantagens populares de um bimotor, se comparado ao seu irmão, o Bonanza. O modelo foi produzido até meados dos anos 80, pois a versão atual, o 58, começou a ser produzido em 1970. O modelo tinha até então dois Continental de 285 hp.

O cinquentão atual, o 58, foi baseado no A36, que já possuía uma fuselagem mais longa, e uma porta de entrada traseira maior, além de uma atualização nos motores que o deu mais alguns hps. Ele era mais veloz, elegante, confortável e de alguma forma, substancialmente mais bonito que o 55, ou o 56 (que durou pouco nessa história). Em meados de 76, novas versões mais vivazes começaram a aparecer. Foi então que os icônicos 58P, também conhecidos como ‘the Cougars’ nasceram. Trata-se de uma conversão do modelo, com duas belíssimas P&W PT6A. A Beech também produziu dentro de 76 a 86 cerca de 500 Barons pressurizados, com um par de Continental TSIO-520, com 325 hps cada, porém a qualquer momento você poderia ter 1000shp (confere produção..!? se acelerar demais, o motor sai do berço!?) potência adaptando seu modelo para os PT6s.

Em meados de 84 todos foram adaptados para os padrões da industria, então com os novos quadrantes de potência e perdendo sua assinatura de dois manches de barra única, tipica dos modelos Beech. Um salto até 2005 nos leva a um modelo praticamente reinventado. O atual G58 nascia como sendo o primeiro bi motor com aviônicas integradas, ou seja, aqueles penduricalhos de navegação que tornam o voo mais assistido, com respaldo em tecnologias glasscockpit. Dentre pinturas fantásticas e edições comemorativas, o modelo tem até um considerável recorde de segurança.

O Baron tende a responder muito previsivelmente a configurações específicas de potência, atitude e flapes, além do trem de pouso. Então é um modelo onde voa-se ‘pelos números’, o que reduz a carga de trabalho e permite gerencial o voo com maior consciência situacional e foco. Logo, o piloto que voa na atitude, seguindo a risca o manual, será feliz. Alguns pilotos já experimentaram maus momentos com acidentes em condição IMC e estol, condições mais comuns de acidentes do modelo.

Performance

Algumas poucas coisas devem ser notadas sobre o G58, tais como o fator de não ser um modelo turbo alimentado, e não haver um modelo do tipo disponível (o que particularmente acho que é um tiro no pé). Logo, isto o coloca em uma situação complicada perante a alternativas do mercado, além de torná-lo ligeiramente menos versátil que outros modelos da categoria. Além disso, uma breve comparação entre categorias, o G58 com seus robustos 600 hps de potência, não levam o avião a ser mais velos que os SR-22 ou Corvalis. Logo, em um país como o Brasil, onde combustível de aviação é assustadoramente caro, isto faz com que o modelo seja um peso financeiro e operacional para etapas curtas e baixo payload, já que o gasto com combustível adicional é praticamente o dobro.

Apesar disso, o modelo oferece uma razão de subida boa (1700 fpm), principalmente quando você perde um motor, isso claro, se comparado aos Cirrus e Cessnas mono motores supracitados. 😉 Este modelo ainda leva cerca de 640 kg de carga útil, o que permite que mesmo o avião com 6 passageiros de 90 kg cada (outro golpe baixo para os apressadinhos acima), ainda tenha aproximadamente 100 kg de carga livre. A potencia ajustada para máxima velocidade leva o modelo a 202 kt, no entanto apenas configurada para máxima autonomia leva o modelo a cerca de 1500 nm de distância.

 

O George Clooney dos bi motores ainda teve uma série de updates interessantes nas últimas versões. A começar pela conversão para glass cockpit, que produz um considerável aumento de consciência situacional. Além disso, os modelos novos contam com lâmpadas de led, mais duráveis e com maior poder de iluminação, aquecedor de para-brisas, um interior completamente reformulado, e ar condicionado digital.

Além disso o modelo tem algumas versatilidades, que na humilde opinião do Aeroagora, o tornam tão único quanto um Grumman. Entre opções de adicionais como winglets ou a opção quadri-pá, o modelo tem um som característico, que fazem os adeptos a religião aeronáutica arrepiarem com seu passar.

Fly Safe, Folks.

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