Yo folks, whatzzuuuppp niggaaa!?

No texto anterior tratei de preparar e fundamentar a série de textos que farei sobre uma crítica de valores aeronáuticos brasileiros. Entenda que isso não é para lançar um novo dogma ou modelo de aluno e pilotos que farão com que uma nova ordem se inicie. Mas para indagar o leitor sobre o que ele leva como ‘verdade’, se é que pode se chamar assim.

Da mesma forma que sou contra o ‘quem indica’, sou contra o ‘pano preto’. Reza uma lenda que o ‘pano preto’ começou do início da implementação do IFR em terras tupiniquins. Então, por haverem pouquíssimos pilotos treinados para voar instrumento, e por serem extremamente valorizados no mercado, estendiam uma cortina preta no cockpit separando-se dos copilas, e assim fazendo o voo em instrumento em segredo. Afinal, ‘copila não vendo, eu não perco meu troninho, ele não aprende, eu continuo nadando de braçada’. Enfim, um exemplo de safety e CRM.

O ‘pano preto’ é uma característica hereditária de aviador. Ele existe desde alunos, passando pelos instrutores, nadando de braçada na aviação executiva, e chegando na linha em grande classe. Se não fossem pelas obrigatoriedades de treinamento na linha, como simuladores e indicativos de desempenho, essa cortina existiria até hoje. Eu particularmente, do ao ‘pano preto’ um nome mais curto: ‘egoísmo’.

Quem me conhece, sabe o quanto sou simbiótico. Ajudo, e acabo me ajudando. E bem como defendo uma aviação meritocrática, defendo uma aviação simbiótica. Hoje temos um ambiente muito ‘montanhoso’ de experiências na aviação. Temos pilotos que são ‘overqualified’, pilotos-jovens que são ‘outliers’, e por fim, mocorongos que nem eu. Pouca experiência, buscando lugar ao sol.

By the way

Eu fiquei muito feliz com o resultado do Aeroblog. Atingimos uma taxa de rejeição de 0,6%. Sabe o que é isso padawan? Você está lendo os textos do Aeroblog. Então, eu te agradeço pessoalmente por isso. Esse projeto é feito pra você.

No primeiro texto dessa série, compartilhei minhas opiniões e valores a respeito os ‘que indicam’ vs ‘os que merecem’. E muita gente veio ‘inbox’ falar comigo, dividindo-se em os que achavam que eu sou um louco, porque (supostamente) é impossível que isso mude, e os que concordam, mas aceitam pois precisam da oportunidade. Então, por esses e aqueles, que o texto de hoje é sobre aviação simbiótica.

Pense no mundo onde as pessoas se completem. Enquanto você tem muitos caras muito bons no mercado, e muitos peixes, poderíamos ter uma aviação muito mais uniforme. Afinal, temos muitos alunos em aeroclubes e escolas de aviação que são verdadeiros ‘outliers’ na sala. E são esses mesmos 10% que chegam ao cockpits mais modernos, ou dos maiores aviões.

Mas o que eles fazem é justamente uma coisa que até então eu (bobinho) julgava como errada: se dedicam em uma aprendizagem just-in-time. Isso os permite que avancem rapidamente e alcançasse seus objetivos, com considerável facilidade. O aluno de 20 anos atrás sabia tudo sobre tudo, enquanto os melhores de hoje, tem uma breve noção do passado aeronáutico, mas sua jogada mestra é saber operar as tecnologias que cobrem os céus mais sofisticados do mundo. O aluno de hoje deixa de dissipar sua energia, sua motivação, em coisas arcaicas e sem futuro, para se dedicar em progresso pessoal. Fazem pouco, mas fazem muito bem.

Agora imagine uma tripulação composta por um comandante ‘overqualified’ que chegou aonde está por méritos, experiência, e um aluno padawan que tem uma abordagem diferente? O aluno ‘outlier’ não apenas acompanha – ele permanece à frente das tendências, buscando proativamente essas novas tecnologias, e uma sede de conhecimento absurda, faz contato (em simulador, livros, blogs) para verificar como elas afetam a produtividade, a eficiência e a qualidade do seu voo. Isso permite a esta tripulação encontrar as melhores ferramentas para o um voo muito mais seguro, baseado em uma relação de cumplicidade, separado por uma hierarquia já existente.

O problema é que tem muito comandante por aí que parou no tempo. Tirou suas carteiras no DAC, fez uma convalidação ali na terra do Tio Sam, e pronto. É necessário ter confiança para ser humilde, e admitir que precisa ganhar conhecimentos ou habilidades novas. Afinal, ele se tornará então o ‘cão velho, com novos truques’. Mas ele entende que, o seu ‘padawn’ tem muito a aprender consigo.

Isso é aviação simbiótica, e meritocrática. E eu torço para que isso chegue o quanto antes no Brasil. Porque isso já é praticado no mundo, desde que o mundo é mundo. Algumas culturas levam isso tão a sério, que depois de um voo, ninguém entra na van do translado antes do comandante mais experiente. Uma hierarquia de respeito, é o que proponho.

Fly safe, folks.

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